Não sei qual é o seu problema, mas sei qual é a solução!
A solução está ao seu alcance e é mais simples do que você imagina; só precisa ser ativada. Nada poderia ser mais poderoso. Refiro-me a uma força capaz de dissolver aquilo que nos atormenta, não importa o tamanho do problema ou a profundidade da dor.
Essa força pode pacificar o coração, libertar-nos de nossos cárceres interiores, purificar a alma, ajustar nossa energia, equilibrar corpo e mente e harmonizar aquilo que estiver em desalinho com a Vida. Pode curar aquilo que existe de adoecido em nossa relação conosco, com o outro e com a própria existência. Em suma, contém muito daquilo que buscamos, consciente ou inconscientemente, durante toda a vida.
No estágio em que se encontra a humanidade, ainda existe muito descrédito em relação à sua eficácia. Não há consenso sobre seu verdadeiro potencial; continua sendo tratada como ingenuidade por muitos que ainda não compreenderam sua força. Talvez pensem assim justamente porque ainda não desenvolveram o nível de abstração necessário para perceber aquilo que não pode ser medido apenas pelos instrumentos habituais da mente.
Falo de um solvente, talvez o mais poderoso do Universo, capaz de dissolver construtos mentais negativos, desarmar angústias, destravar a mente, revelar a realidade para aqueles que vivem entorpecidos por medos e desejos e acender uma luz nas trevas da ignorância que ainda ocupam o abismo colossal do nosso ser.
E há algo importante nessa imagem do solvente: essa força não precisa necessariamente acrescentar alguma coisa a você. Sua ação consiste muitas vezes em dissolver aquilo que impede sua verdadeira natureza de se manifestar. Dissolve o ressentimento, o medo, o orgulho, a culpa, a necessidade de controle, o desejo de vingança, a separação. E, quando essas estruturas começam a desaparecer, aquilo que somos em essência começa finalmente a aparecer.
Falo de uma abordagem ainda pouco investigada em toda a sua potencialidade e muitas vezes tratada com desconsideração e desprezo. Quem compreender profundamente essa força deixará de percorrer o mundo de pires na mão, acreditando que sua libertação será entregue por alguma autoridade externa. Poderá recorrer a terapeutas, mestres, religiões ou disciplinas, mas compreenderá que nenhum deles poderá realizar por ele aquilo que somente pode acontecer dentro do seu próprio ser.
É a libertação, a iluminação, o estado de êxtase instalando-se na alma, o coniunctio oppositorum com o Divino. É o fim da religião como necessidade de intermediação, o fim das buscas desesperadas, o reconhecimento da nossa Verdadeira Natureza.
É claro que, depois de tanto mistério, você deve estar curioso para saber do que estou falando.
Do amor.
Como disse no início, não sei qual é o seu problema, mas sei qual é a solução: o amor.
A força do amor é incontestável; no entanto, poucos percebem a extensão de seu poder. Talvez porque tenhamos reduzido o amor a um sentimento, a uma relação afetiva ou a alguma coisa que oferecemos seletivamente àqueles que consideramos merecedores.
O amor está presente no perdão. Quando encontra uma ofensa, manifesta-se como capacidade de libertação. Perdoar não significa apagar aquilo que aconteceu, mas retirar do acontecimento o poder de continuar acontecendo dentro de nós. Mudamos o significado de registros carregados emocionalmente e interrompemos a alimentação contínua daquilo que nos feriu. O acontecimento permanece na memória, mas perde sua toxicidade.
O amor está presente na compreensão. Quando alcançamos um entendimento mais amplo e sistêmico da condição humana, experiências negativas com o outro ou conosco deixam de ser problematizadas da mesma maneira. Um novo olhar é lançado sobre os acontecimentos. Parafraseando Proust, a verdadeira viagem de descoberta não está em procurar novas paisagens, mas em aprender a olhar com outros olhos.
O amor está presente na aceitação. Quando aceitamos a Vida como ela é, as pessoas como são e, finalmente, quando conseguimos aceitar a nós mesmos por inteiro, deixando de nos constranger com avaliações negativas contra nós, abrimos a porta para profundas transformações.
A aceitação é um ato de fé, gratidão e entendimento da dinâmica que envolve a condição humana. Quem aceita começa a compreender que Deus está sempre certo, que a Natureza não erra e que estamos submetidos a princípios eternos e Leis imutáveis que conspiram a favor do nosso desenvolvimento. Toda rebeldia, reclamação ou revolta contra aquilo que a Vida apresenta revela uma consciência ainda incapaz de compreender a inteligência daquilo contra o qual se revolta.
O amor também se manifesta como humildade e talvez não exista ninguém mais poderoso do que um ser verdadeiramente humilde. Ele não se abala facilmente, não depende de avaliações, não precisa desesperadamente da aprovação de ninguém e dificilmente se ofende, porque já não está empenhado em proteger um ego inflado.
O humilde torna-se poderoso justamente porque não precisa defender poder algum.
Mas talvez nosso maior equívoco seja imaginar o amor apenas como algo que parte de alguém em direção a alguma coisa. Dizemos: amo minha mulher, amo meus filhos, amo meus amigos, amo Deus. Transformamos o amor numa relação entre sujeito e objeto, como se ele precisasse necessariamente de um destinatário para existir.
O amor de que estou falando não precisa de objeto.
Ele simplesmente É.
Quando essa condição começa a manifestar-se no ser, aquilo que encontra pelo caminho é naturalmente alcançado por ela. Diante da ofensa, torna-se perdão; diante da ignorância, compreensão; diante daquilo que não pode ser mudado, aceitação; diante do ego, humildade; diante do sofrimento do outro, compaixão.
Não é necessário escolher quem merece recebê-lo porque, nesse estado, amar deixa de ser propriamente uma ação. Torna-se uma condição do próprio ser.
Talvez por isso a falta de amor esteja na raiz de tantos problemas que o homem passa a vida inteira enfrentando. O ódio, a inveja, a arrogância, o ressentimento, a indiferença e o medo não precisam ser combatidos um por um como inimigos independentes. Talvez sejam apenas diferentes manifestações de uma mesma ausência.
Está na hora de voltar os olhos para si, fazer uma profunda inflexão e buscar na fonte do próprio ser aquilo que sempre esteve ali.
Não sei qual é a sua dor. Não sei quem o feriu, o que você perdeu, aquilo que teme ou qual batalha está enfrentando neste momento. E continuo dizendo que sei qual é a solução.
Não porque conheça o seu problema, mas porque talvez todos os nossos problemas, quando despidos de seus personagens, circunstâncias e histórias particulares, revelem a mesma ausência.
Falta amor.
Não amor por alguém.
Não amor por alguma coisa.
Amor.
E quando ele estiver presente, talvez você finalmente compreenda por que eu não precisava conhecer o seu problema para saber a solução.
Transconhecimento
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