Enquanto existir a busca, existirá o buscador, e esse é o problema. O buscador é uma ilusão; ele simplesmente não existe. É um conjunto de desejos que se unem e se organizam para alcançar aquilo que não pode ser alcançado, uma vez que não há separação entre o homem e o Todo. Portanto, alcançar o quê?
Criamos uma identificação com os desejos e eles passam a definir quem somos. O problema é que toda definição limita, enclausura e reduz o eterno ao transitório.
O homem só precisa reconhecer o seu estado natural e perceber que não há nada a ser melhorado em sua essência. O despertar é exatamente isto: reconhecer-se como a expressão do divino, com atributos eternos e imutáveis.Se existe um caminho rápido para a libertação, é este: permanecer naquilo que é.
Todo sofrimento resulta de uma desconexão de si mesmo.
É como uma gota no oceano que, vaidosa e imponente, acredita em sua individualidade, sem perceber que seu estado é temporário e que, inevitavelmente, irá fundir-se à mesma fonte: o próprio oceano.
Muitos vivem em uma ânsia por respostas no mundo, ajoelhando-se diante de gurus, pesquisando técnicas milenares, adotando rotinas exaustivas e empenhando tempo e dinheiro em buscas incessantes.
Tentam encher um tonel furado e não percebem que tudo isso é um equívoco.Essa verdade é ecoada milenarmente.
No Budismo, o conceito de Natureza Búdica (Tathagatagarbha) sugere que todos os seres já possuem a iluminação em si. O despertar não é algo que se adquire de fora, mas o ato de remover as nuvens que cobrem o sol que já brilha no interior.
No Hinduísmo (Advaita Vedanta), a máxima das Upanishads é "Tat Tvam Asi": "Tu és Isso". Ela ensina que o Atman (o self) é idêntico ao Brahman (o Todo).
Não há distância entre o buscador e o divino.
No Sufismo, Rumi expressou que você não é uma gota no oceano, mas o oceano inteiro em uma gota. E, no Evangelho de Tomé, o ensinamento é claro: o Reino não está no céu ou no mar, mas dentro e fora de vós.
Diante disso, por que buscar o que já temos? Por que tentar ser o que já somos? Percebe-se que a busca é apenas uma demanda ilusória.
O objetivo da vida não é alcançar, aprender ou conquistar nada, mas apenas reconhecer a essência que já habita em cada um de nós.
Transconhecimento
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